
"Os indígenas das seis etnias do Javari estão morrendo. Os índices de doenças como a malária, a hepatite e a desnutrição infantil são preocupantes".
A proteção das áreas indígenas já demarcadas no País virou um problema que nos últimos dias invadiu o noticiário nacional e internacional. Na reserva do Vale do Javari, a segunda maior em extensão do Brasil (são 8,5 milhões de hectares) no extremo oeste do Amazonas, divisa com o Peru, por onde eu e o repórter-fotográfico Paulo Liebert estivemos entre os dias 15 e 20 de maio, a convite da Funasa, o cacique-geral dos índios marubos cobrou do governo proteção contra a ação de madeireiros, traficantes e outros aventureiros exploradores que ameaçam suas terras. Ivinimpapa (nome branco Alfredo) reclama que o governo federal demarcou a área, mas os esqueceu lá, sem assistência ou segurança. Nesta sexta-feira um levantamento feito pelo site Contas Abertas revela um dado que pode ser preocupante. A consulta ao Siafi (sistema de acompanhamento orçamentário federal) mostrou que o item “fiscalização de terras homologadas”, dos gastos previstos pela Funai no orçamento 2008 foi reduzido sensivelmente.

No ano passado, estavam previstos quase R$ 9 milhões - R$ 6,5 milhões foram pagos. Este ano, está autorizado R$ 1,3 milhão. O pior, R$ 1,1 milhão já foi aplicado desde janeiro. O orçamento para demarcação de terras indígenas em 2008, no entanto, é o dobro de 2007. Foram destinados R$ 39,6 milhões este ano contra R$ 19,1 milhões do ano passado. No final de tarde de segunda-feira, o helicóptero Cougar, do Exército, pousou no campo de futebol da aldeia de São Sebastião, dos índios marubos, na região central da reserva indígena do Vale do Javari – segunda maior do País – para nos levar de volta a Cruzeiro do Sul (AC), ponto mais perto da região, pelo ar. Eu, o repórter-fotográfico Paulo Liebert, e outros jornalistas passamos cinco dias acompanhando equipes da Funasa e das Forças Armadas na operação de vacinação e triagem epidemiológica feita entre os 3,6 mil índios que vivem na região. Os indígenas das seis etnias do Javari estão morrendo. Os índices de doenças como a malária, a hepatite e a desnutrição infantil são preocupantes. "Índios em áreas desprotegidas: Ricardo Brandt (Estadão)".